segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Réu (.) Confesso.

O ruim de morar desse lado do mundo é ter que passar a madrugada acordado para poder assistir às Olimpíadas que insistem em acontecer do lado de lá do mundo. E eu, que gosto de toda modalidade olímpica, até arremesso de pedra na lua com a mão esquerda, tento assistir. Em vão. Ou estou viajando, ou estou em um casamento, ou o controle da Sky não funciona enquanto a TV aberta ignora o fato de que esse evento só acontecer a cada quatro anos. Mas uma das coisas que eu mais gosto é da superação dos limites. Via de regra, em todos os jornais a história se repete. Do ciclista que superou uma lesão e conseguiu concluir a prova; da mãe da judoca da Cinelândia que conseguiu ir a Pequim ver a filha entrar pra história; do maratonista órfão que achou no esporte uma alternativa às armas. E eu me emociono todas as vezes que vejo. Tudo bem que eu me emociono com qualquer coisa. Mas se duas medalhas de bronze já me fizeram chorar pelo menos cinco vezes, uma pra cada jornal que eu assisti, com os mesmos depoimentos, com as mesmas imagens e com as mesmas pessoas,dá pra imaginar o que vem por aí. Não tem jeito. Eu torço. Eu acredito. E posso até me deepcionar, mas hoje foi só o primeiro dia em que as medalhas começaram a aparecer. E outras medalhas virão. E outras histórias serão descobertas enquanto eu preparo o lenço por pelo menos mais quinze dias.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Sobre os Meus Vinte e Sete

Desde pequenos somos acostumados a lidar com os números. Talvez a primeira menção seja ao fazermos o primeiro ano de vida e já vêm inúmeros adultos desagradáveis perguntando quantos anos temos só pra ver-nos levantando um dedo que não fazemos a mínima idéia do que represente. Isso segue nos anos seguintes. E depois querem saber qual a data do aniversário, quantos irmãos temos, quantos coleguinhas têm na sala de aula, querem nos obrigar a aprender o número de casa e uma infinidade de números inúteis ou não. E por isso, todos têm uma série de números de cor. Eu não sou diferente. Tenho decorados um número de identidade, outro de CPF, um telefone de casa, outro do trabalho, e um celular. Um número do meu endereço e a placa do meu carro. Mais uma dúzia de telefones indispensáveis. Um número para meu cadastro de assinante de revistas. O número da minha conta, outro para a agência. Um cartão de crédito e mais outros três CPFs. Meu RENAVAM e minha carteira de estudantes. E várias senhas. Além da data de aniversário de algumas pessoas, apesar de só eventualmente eu lembrar de ligar. Mas tenho outros números no meu estoque. Eu nasci em um fatídico dia 01 do mês do bom gosto e já atropelei um cavalo na estrada. Tenho 02 afilhados que eu queria que fossem meus filhos. Sou o caçula de 03 irmãos e carrego três colares no pescoço. Assisti Titanic 04 vezes só no cinema e bati o carro outras quatro. Já fui 05 vezes padrinho de casamento. Passei 06 anos na universidade se considerar o tempo que fiz computação. Eu gosto da música 07 de quase todo disco e normalmente é a que eu mais gosto. Há 08 anos descobri que uma criança pode mudar a sua vida para sempre. Cursei 09 períodos de Odontologia e acho até que poderiam ter sido mais. 10 é meu número de escolha para quantos quilos eu gostaria de perder e quantos centímetros gostaria de ser mais alto. Eu já tive mais de 11 amigos do peito. E já trabalhei em 12 interiores diferentes. Minha última sexta-feira 13 foi punk. Quando era criança esperava ansioso completar 14 anos pra aprender a dirigir por um contrato fajuto feito com minha mãe. Em vão. Com quase 15 emagreci e deixei de vestir quarenta e oito e passei para quarenta; hoje os quarenta ficaram pra trás e os quarenta e oito estão logo ali. Além disso, eu defendo a idéia que quinze minutos de atraso deveriam ser regulamentados por lei. Num dia 16 assumi meu primeiro concurso e larguei cinco dias depois. Só com 17 anos realmente peguei no carro. Quando completei 18 achava que tudo seria diferente. Descobri que não. Eu gostava de comprar cd quando o selo ouro valia 19,90 e não existia cd pirata. Meu e-mail, criei com 20 anos. Por isso o vinte nele. Com 21 eu achei que enfim, tudo seria diferente. Novo engano. O canal que eu mais assistia era o 22, até tirarem do ar. Minha formatura foi na semana que eu fiz 23, mas pra todos os efeitos, concluí com um ano a menos. Meu dia precisava bem mais que 24 horas. Com 25 anos eu emagrecia com muito mais facilidade. Com 26 descobri que não tinha mais vinte e poucos anos. E eu realmente viajo na poltrona vinte e sete, e vinte e sete vezes já disse “estou na ponte” quando eu realmente estava lá. Já perdi minha carteira umas vinte e sete vezes e com 27 eu sei que tudo será infinitamente melhor. Estes são meus. E os seus, quais são?

quinta-feira, 19 de junho de 2008


You are The Sun


Happiness, Content, Joy.


The meanings for the Sun are fairly simple and consistent.


Young, healthy, new, fresh. The brain is working, things that were muddled come clear, everything falls into place, and everything seems to go your way.


The Sun is ruled by the Sun, of course. This is the light that comes after the long dark night, Apollo to the Moon's Diana. A positive card, it promises you your day in the sun. Glory, gain, triumph, pleasure, truth, success. As the moon symbolized inspiration from the unconscious, from dreams, this card symbolizes discoveries made fully consciousness and wide awake. You have an understanding and enjoyment of science and math, beautifully constructed music, carefully reasoned philosophy. It is a card of intellect, clarity of mind, and feelings of youthful energy.


What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Nem Toda Sexta-Feira é Treze

Eu não sou supersticioso. Tudo bem, eu tenho lá minhas mandigas porque, sei não, vai que acontece algo? Mas supersticioso de carteirinha, com mapa astral feito, de não passar por baixo de escada, de levantar com o pé direito, ou de mandar cartas pra revistinha do João Bidu, ah, isso não. Mas tenho que admitir, quando eu abro o jornal eu quero saber do meu horóscopo, sim. E não me importo se ele foi escrito por estudantes de jornalismo do sexto período na disciplina de ciências ocultas. Ou fajutas. Eu rôo minhas unhas e as guardo no bolso. Tá bom! É falta de higiene, mas se alguém um dia pegar suas unhas e lhe fizer uma macumba , você vai lembrar de mim. Eu gosto do meu lençol com uma dobra. Na marca do ferro. Senão, posso ter pesadelos. E daí se eu não teria? Experimente você. Mas quanto à sexta-feira treze, nunca me preocupei, A não ser quando o Jason Voorhees queria aparecer na janela do meu banheiro junto com o Freddy Krueger. Mas isso já faz mais de quinze anos. Só que essa sexta foi diferente. Tudo corria bem. Eu teria que viajar às 9 e meia em um ônibus que sempre atrasa e passa às 10 e meia. Cheguei na rodoviária às 9 e dez, e qual não foi minha surpresa ao verificar que o pneu estava furado. Ao abrir o bagageiro, lembrei que meu pai tinha deixado o estepe na borracharia há quase um mês. Afinal, onde é o melhor lugar pra se guardar um estepe se não na borracharia perto de casa? Decidi ir a um posto encher o pneu porque não podia deixar a mulher voltar sozinha. Após encher e constatar que o pneu não estava furado, decidi voltar à rodoviária. Mas a minha mãe liga - claro que pro celular da Carine, porque o meu, perdi pela vigésima sétima vez -, dizendo que eu havia esquecido a mala. Que pessoa viaja e esquece a mala em casa? E eu nem estava com a sensação peculiar de 'estar esquecendo alguma coisa' que acomete todos os marinheiros de primeira, segunda ou terceira viagem. Voltei em casa. Peguei a mala, voltei à rodoviária. Cheguei às 9 e 50. O ônibus tinha acabado de sair pra garagem. Implorei, expliquei, fiz beicinho, disseram que iriam ligar para o ônibus voltar, porque se tem bagagem, só pode embarcar na rodoviária. Feliz da vida porque o ônibus tinha voltado, embarquei, me gabando ainda pros funcionários da empresa que eu tinha os ajudado a ganhar mais dinheiro, já que por minha causa, venderam 6 passagens a mais, de outras pessoas que provavelmente tinham esquecido outra coisa, que não a mala, em casa. Achar minha poltrona, fora quase uma caça ao tesouro. A vinte sete estava ocupada, apesar de marcada no meu bilhete porque a dona da 41 encontrou outra pessoa em seu lugar e decidira que ali seria seu novo lugar. Na 41 a senhora disse que só sairia daquele lugar para o dela porque já tinha mudado de lugar pelo menos três vezs. E o dela, lógico, estava ocupado por outra pessoa que tinha seu lugar ocupado. Dá pra imaginar: joana que sentou no lugar de joão, que sentou no lugar de maria, que sentou no lugar de pedro, que sentou no lugar de Samuel que ficou sem cadeira. Rapidamente alguém se manifestou 'senta aqui. Aqui tem lugar.' Poltrona 13! Eu já tava achando esse número cabalístico demais, mas era lá, ou ir em pé. Sentei. O motorista deu o maior cagaço em 'quem' fora o responsável em fazer o ônibus voltar e após ouvir de alguns passageiros mais apressados 'que aquilo era uma molecagem, que era uma falta de respeito com os outros passageiro', coloquei o cinto, tomei meu Dramin, e me virei pra dormir. Só fui acordado por um funcionário da empresa me dizendo que devia reclamar por ter quase ficado sem lugar e que reclamasse também do funcionário que tinha despachado minha mala e tinha sido arrogante. 'Não, tudo bem! Isso acontece' foram as únicas palavras que eu consegui dizer. E de olhos fechados e com um sorriso contido, dormi. Eu não sei se fora a data, mas por via das dúvidas, na próxima sexta-feira treze não me olho no espelho. Afinal, ver um gato preto dá azar!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Algumas coisas a gente vai passar a vida inteira pra conseguir. Outras, mesmo algumas vidas não serão suficientes. E aconteceu; quando eu menos esperava, quando eu já tinha perdido as esperanças e quando em nem queria, consegui. A emoção não foi a que eu esperava e pra falar a verdade, eu nem me importei muito. E fiquei até com raiva. Aquela definitivamente não era a hora pra acontecer. Mas eu consegui. E posso dizer. E muitos nunca conseguirão. Mas eu consegui. Agora, fala sério, será mesmo que depois de 26 anos acabar uma caneta é tão importante assim?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Enfim, o Ano Começa.

O Carnaval acabou. E, como uma fênix, a vida ressurge das cinzas, da quarta...

Um mal necessário.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Pode Ser Velho, Mas Feliz Ano Novo. De Novo!

Inacreditavelmente esse ano começou diferente: sem nenhuma promessa esdrúxula, inusitada ou mesmo fácil de ser cumprida. Eu simplesmente não fiz minhas promessas de ano novo. Não que eu sempre as cumpra, mas eu sempre as faço. E dessa vez, não. Tudo passou tão rápido que nem deu tempo eu prometer que ia emagrecer, estudar ou aprender a tocar um instrumento. Não consegui prometer ser um filho melhor, um amigo melhor ou uma pessoa melhor. Não deu tempo eu desejar feliz Ano Novo a quem eu queria, ou mesmo, desejar o mesmo a quem desejou a mim (não que alguém tenha me desejado, entenderam?). Tudo foi tão rápido que eu ainda pareço estar em 2006, quando penava por conta de um horóscopo desastroso - mesmo que não acredite neles! Eu não sei se foi o fato de 2007 também ter sido meio desastroso que tudo parecia ser uma coisa só. Deve ser por isso que eu não tenho essa onda que muita gente tem de dizer que meus anos pares são sempre melhores. E pra falar a verdade, nunca me importei lá com isso. E sem que eu percebesse, o ano chegou ao fim. E o outro já começou e quando penso em todas as minhas obrigações desse ano, acho que já posso pensar em 2009, porque esse vai ser mais rápido ainda. Afinal, Carnaval no início de Fevereiro? Mas a questão é que sempre espero um ano melhor. A todos. Então, pode ser velho, mas feliz Ano Novo. De Novo! Ah, e uma coisa eu prometo: esse ano não pago CPMF. E essa vou cumprir!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O Esboço de uma Reação

O.k.! Eu até tinha pensado em escrever mais(!) um texto, fora os trocentos que não são publicáveis, sobre as minhas lamúrias e fase fim-de-carreira. Mas a quem interessa saber sobre isso. Nem a mim mesmo interessa. Hoje não! Já que eu acordei às 5:57 de bom humor, mesmo que quisesse ter despertado só às 7. Então dá pra imaginar que hoje o dia vai ser diferente. Eu tenho certeza que vai ser bem melhor.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Resultado do Teste: APROVADO!

Muita gente passa por isso. Uma maré de 'sorte' que mais parece uma ressaca. O ruim é quando ela não passa. Quando pra onde você corre, tem algo pra lembrá-lo que você não é o dono de si. Quem tem algo por trás de tudo isso. E que coincidências acontecem, mas algumas vezes, é só o pontapé inicial. Ele tenta de uma forma, e isso não pode. E se ele tentar de outra forma? Pode ser? Pode! Quero dizer, não! E pronto. Mas ele não desiste. Não é um carro ou um hacker metido a esperto, ou um celular, ou uma tendinite, ou outro acidente de carro, ou um concurso fajuto que o farão desistir. Ele pode muito mais. Até sorri quando lembra do aperreio pelo qual passou, ou ainda está passando. Mas lembra que podia ter sido muito pior. Já pensou se ele não tivesse momentos bons? Bateu? Então tem carro! Roubaram o celular? Então ele tinha um! Hackearam sua conta? Então tinha dinheiro! Foi demitido de um concurso?!? Então tinha sido aprovado. Talvez tudo seja um teste. Talvez seja justamente pra fazê-lo lembrar do lado bom das coisas. Bom, ele tem aprendido, e nesse teste, vai ser aprovado com conceito A. Que não venham mais adversidades, mas se insistirem em perseguí-lo, elas que se cuidem, porque não sabem com quem estão se metendo!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Vontade de Ter Vontade.

Hoje ele tava pensando em tudo que tem vontade de fazer e não faz. Ainda bem. Quantas vontades nos vêm por arroubos de insanidade? Se cada vez que ele se sentisse deprimido ele se matasse, já teria morrido algumas dezenas de vezes. Se cada vez que ele se sentisse feliz, plantasse uma árvore, faltaria solo para tanto. Ele queria umas vontades mais simples, como a de escrever na primeira pessoa, levar o carro pra lavar, atualizar as fotos do orkut, mas pra isso, ele anda tão sem vontade. Ou ser mais inteligente pra entender que algumas vontades simplesmente não têm razão de ser. É, se cada vez que ele tivesse vontade de escrever, ele o fizesse, esse blog não ficaria parado tanto tempo. Por enquanto, vai ficar só na vontade!

terça-feira, 12 de junho de 2007

A Tampa e a Panela.

Tudo já foi dito acerca do amor. E este que é o sentimento mais antigo e nobre que existe já visitou todos os textos e crônicas e contos e histórias. E todo mundo sabe do que ele é capaz. Que é capaz de deixar as pernas bambas, o pulmão sem ar, a boca seca, os olhos cegos, a cabeça rodando. Que se não fosse bom, seria muito mau. E que não se pode viver sem ele. Os descrentes até poderiam dizer que, sim, é possível viver sem ele, mas no fundo, eles também sabem que não. O que ele não sabia é que podia sentir-se assim. Com as pernas bambas, com o pulmão sem ar, com a boca seca, os olhos cegos e a cabeça girando. E não é mais uma de suas crises como a de todo bom hipocondríaco. Ele está assim há quase cinco anos. Já virou crônico. Mas ainda dói, às vezes. Dói quanto eles não se entendem, quando ele pensou em dizer e não disse, ou quando ele não pensou no que dizer, mas disse. Ainda bem que ela sempre o entende. Entende o seu mal humor inexplicável - até parece que quem tem TPM é ele - entende as suas preocupações e sabe quando ele está preocupado. Consegue sorrir das suas piadas mais sem graça e tomar para si os seus problemas. Ela que era incapaz de tomar uma água com gás e hoje se arrisca a duas margheritas. Que sempre fora pontual, e hoje admite chegar um pouquinho atrasada. Que sempre resolvera tudo com atecedência e às vezes se pega com o tempo que se esvai. Ela que fora feita pra ele e consegue fazê-lo feliz. A tampa da panela, da qual ele, panela, não imagina como seria se não a tivesse encontrado.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Os gordos que me perdoem, mas magreza é fundamental.

Não tem mais jeito. É irreversível. Todos querem ser magros. Ou são mentirosos. Ser feliz consigo mesmo ajeitando a camisa a cada vez que se senta ou se levanta é ilusão. Comer sem culpa uma cumbuca de feijoada e não sentir uma ponta de remorso não existe. Logo ele, que sempre foi gordo, e teve todos aqueles famigerados apelidos quando criança. Pra que que baleia precisa de chupeta? Ou poço, de rolha? Talvez fossem as primeiras tentativas de abri-lo os olhos. Mas ele seguiu em frente. E inadvertidamente consumiu todas as gorduras trans que estavam ao seu alcance. Mas hoje quase não acreditou quando seu afilhado de seis anos disse que não comeria calabresa porque tinha gordura e gordura engordava e deixava as pessoas doentes. Que criança não gosta de lingüiça? Que criança se preocupa em não engordar? Aos seis anos? Bom, essa era na verdade só mais uma das mil e uma desculpas dele para não comer, mas o fez pensar que essa geração é realmente diferente. Eles não se surpreenderão com a Raul Lopes lotada em dia de feriado. Ou quando a Coca Zero será uma vaga lembrança, substituída pela Coca Menos Um. Ainda bem que as coisas estão mudando e ele ainda tem esperanças em um dia parar de fazer dieta e levar a sério a sua reeducação alimentar. Enquanto isso, vai tomar mais um cervejinha e comer um pouco porque tudo isso lhe deu uma fome danada.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Um Novo Gás.

O que nos motiva nem sempre é fácil dizer. O que nos deprime, talvez seja mais difícil ainda. Há dois dias ele vinha se sentindo assim. Tão à flor da pele que o seu desejo se confundia com a vontade de não ser. Como o próprio fungo que infesta o muco que se alimenta do que é podre. Não conseguia sentir-se nem ao menos gelatina. Quanto mais o crème brûlée de outrora. . É difícil concentrar-se quando o mundo parece conspirar contra. Quando se sente o experimento que deu errado. Ou o tiro que saiu pela culatra. Ele precisa de umas férias. Pra viajar pra dentro de si e conhecer o que o aflige. Seja as decisões erradas ou a impossibilidade de fazer, por uma mal fadada tendinite, a única coisa que ele sabe. Mas hoje, passada uma mal dormida noite, ele acordou mais tranqüilo. Suas aflições devem ser as mesmas. Mas o seu humor está completamente diferente. A inspiração que ele tanto buscava, essa, definitivamente, ainda não veio. Mas os seus pensamentos começam a se firmar. Porque agora ele tem a certeza que todos os que aí estão, atravancando o seu caminho, eles passarão; ele passarinho.

domingo, 15 de abril de 2007

O Menino e a Costela


Sem que se perceba a vida toma rumos inesperados. Porque mesmo com tantos planos quando ela iria pensar que seria uma costela? E ele, como pensaria que quando casasse ainda seria um menino? As suas vidas não são como eles imaginavam. É melhor. E aliás, nem são mais duas. E mesmo depois de oito anos, o menino continua a surpreendê-la e ela, a ele. Como ela poderia imaginá-lo fazendo-lhe tais surpresas? E ele, algum dia pensou que ela também se surpreendesse a ponto de verter-se em lágrimas? O menino encontrou a sua costela. E nesse dia, só o seu coração não era mais o suficiente. A costela ganhou notoriedade. E, para o menino, tornou-se mais vital do que qualquer outra órgão. Hoje, o menino não imagina viver sem sua costela e a costela, como pôde ter existido sem o menino.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Como não gostar de praia?


Quando criança, ele adorava uma praia. Mergulhar no mar não era o suficiente. Pisar na areia também não. E pegar um pouco de sol, muito menos. Ele queria ficar de molho, virar à milanesa, torrar no sol até confundir-se com o calção de banho azul. Mas ele foi crescendo, e passou a odiar praia. Aquele sol lhe trazia dor de cabeça, o mar lhe causava medo e a areia, urticária. Não via a menor graça em encontrar as mesmas pessoas e fazer-lhes as mesmas perguntas " Tu chegaste quando? Estás onde? Vais embora quando?" E dar-lhes as mesmas respostas "Cheguei ontem. Tô no Coqueiro. Vou embora domingo!". Ele até ia à praia. Mas chegava na barraca, tomava sua cerveja, usava protetor fator cinqüenta, apesar de não ter a pele clara, e só se levantava por decreto, ou pra comprar krep's e pastel, porque, aliás, peixe e caranguejo eram mais duas coisas de praia que ele não curtia. Mas um dia, encontrou uma pessoa que adorava praia, e adorava caminhar na areia, e ficar no sol era o ápice da felicidade. E ele começou a rever seus conceitos e a lembrar-se de como era feliz quando gostava de praia. E ele passou a ir mais, e mergulhar no mar, e caminhar na areia, e usar protetor fps trinta. De peixe e caranguejo ele ainda não gosta, mas de praia, ah, como ele queria ir mais vezes.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Ser Gente Grande

Um dia ele acordou querendo voltar a ser criança. Era tudo tão mais simples. Não tinha que pagar contas, nem resolver problemas, nem trabalhar, nem estudar tanto. Se quisesse comer, preparavam seu lanche. Se quisesse dormir, sua cama era arrumada. Não precisava preocupar-se com o peso, ou com os cravos e espinhas, que insistem em nascer mesmo aos vinte e cinco anos. Ou com o cabelo que começa a cair. Não precisava declarar imposto de renda. Nem calibrar os pneus, verificar o óleo, colocar o carro pra lavar e pagar o IPVA e o Seguro, porque seus carrinhos não eram tão exigentes. E se fizesse o que desse na telha, deixa, é da idade. Mas enquanto estava saudosista, lembrou-se em como toda criança deseja ser gente grande. Afinal criança não pode sair sozinha, nem fazer o que tem vontade, nem comprar aquele brinquedo que todos os colegas têm. Tem que usar a roupa que o pai e mãe decidiram comprar e que, apesar de ser muito feia, ficou uma gracinha. Tem que assistir aula às 7 da manhã, depois de tomar um banho numa água de doer os dentes de tão gelada. E fazer tarefa, senão vai pra ficha de ocorrência. E arrancar dente. E esperar alguém que o pegue na aula, porque não pode dirigir. Nem teria carro mesmo. Não pode namorar. Nem assisitr ou fazer nada que seja proibido para menores, mesmo que já tenha os inacreditáveis nove anos e já esteja quase do tamanho dos seus velhos. Ser humano é assim. Nunca está satisfeito com a idade que tem, mesmo que ela seja a melhor. Basta saber que tudo tem seu tempo. E se fosse diferente, não teria a menor graça. E, nesse mesmo dia, ele foi dormir feliz com seus vinte e cinco anos e com todas as suas contas a pagar.

quarta-feira, 28 de março de 2007

O nascimento de um Blog

Um dia ele acordou com vontade de ter um blog. Era uma vontade controlável, sim. Menor do que várias outras. Mas se ele não conseguisse suprir suas vontades mais simples, quais conseguiria? Então decidiu: ia ter um blog. Mas para tê-lo é preciso falar bem, escrever bem, ler muito e, bem, ele não tem esse perfil. Pode até conjugar a segunda pessoa do singular como pede a gramática, ou ter escrito uma meia dúzia de textos e lido alguns livros, mas daí a ser um exímio escritor faltava muito. Mas sentia a necessidade, agora mais do que uma vontade, de ter um blog. E pra falar sobre o quê? Sobre qualquer coisa que não fosse Odontologia, ou PSF, ou interior, ou Odontologia no PSF do interior, ou Big Brother. Ou tudo isso e mais sobre o quê tivesse vontade, quando tivesse vontade e se se sentisse à vontade. Um local que pudesse ser seu recinto de expressão e o permitisse divagar e desacelerar um pouco sua correria, que não se preocupasse tanto com sua sintaxe, mas com a semântica. Que não o cobrasse escritas freqüentes, mas estivesse disposto a ouvir quando ele quisesse falar. Mesmo que o único leitor fosse ele. E assim o fez. Começou a escrever seu primeiro post e quando viu, nada mais era que uma metalinguagem medíocre. E, nesse mesmo dia, ele foi dormir querendo que esse blog nunca tivesse existido.